As professoras do Nível I da Educação Infantil do Colégio Piaget — Emília, Larissa Queiroga e Juliana — desenvolveram com seus alunos o projeto “A Sopa do Neném”. Isso porque, no material didático, o personagem Luca tem uma irmãzinha bebê, a Nina, que está começando a tomar sopinhas.
Assim, a sopa se tornou o ponto de partida para uma experiência que reuniu diferentes áreas de aprendizagem e proporcionou aos alunos momentos de descoberta, brincadeira e encantamento.
Iniciação ao letramento, Música, Culinária, Gêneros Textuais, Inglês e Socioemocional foram áreas que se entrelaçaram de maneira natural ao longo do projeto interdisciplinar da Educação Infantil.
UMA SOPA PARA CANTAR, BRINCAR E CRIAR
As atividades começaram com a música “Sopa”, da dupla infantil Palavra Cantada, apresentada no material didático como a música preferida da personagem Nina.
A canção brinca com a pergunta “Que que tem na sopa do neném?” e apresenta, em rimas engraçadas, ingredientes que podem fazer parte de uma sopa ao lado de elementos completamente inusitados e absurdos. Uma mistura inesperada de macarrão e caminhão, palmito e pirulito, mandioca e minhoca, jacaré e chulé, repolho e piolho provoca o riso e, ao mesmo tempo, estimula a imaginação das crianças.
Para acompanhar a música, as colheres também entraram em cena — e viraram instrumentos musicais. Em duplas, os alunos batiam uma colher na outra, buscando acompanhar o ritmo e perceber o momento exato de produzir o som. A brincadeira, além de muito divertida, favoreceu a percepção musical e o desenvolvimento da coordenação motora.
O QUE PODE — E O QUE NÃO PODE — IR PARA A SOPA?
Depois de cantar e brincar com a música, chegou a hora de investigar os ingredientes da sopa.
As professoras apresentaram aos alunos várias figuras de elementos citados na canção. O desafio era selecionar somente aquilo que realmente poderia fazer parte de uma sopa.
Entre escolhas, descobertas e muita animação, os alunos foram reunindo as figuras escolhidas e colocando-as em um saquinho de papel, como se estivessem juntando os ingredientes para sua própria sopa.
CAÇA AO TESOURO NA HORTA DO COLÉGIO PIAGET
Na horta da escola, as professoras espalharam fichas com imagens dos alimentos selecionados pelos alunos na atividade anterior. Divididos em grupos, eles saíram pelos espaços em busca das fichinhas, transformando a horta em um verdadeiro cenário de caça ao tesouro.
Mas havia uma surpresa esperando por eles. Depois de encontrar as imagens dos alimentos, as crianças foram convidadas a colher um ingrediente de verdade: a cenoura, um dos legumes muito utilizados no preparo de sopas e que estava disponível na horta naquele momento.
A SOPA TAMBÉM FALOU INGLÊS
A teacher Mayara participou do projeto levando para as aulas do Inglês Diário o vocabulário relacionado a alguns ingredientes da sopa. Durante a caça ao tesouro, ela aproveitou a ocasião da colheita da cenoura para reforçar com os alunos a palavra “carrot”.
Assim, enquanto procuravam e colhiam os ingredientes, os alunos também ampliavam, de forma lúdica e significativa, seu repertório em inglês.
DA HORTA PARA A PANELA: APRENDENDO SOBRE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Depois de descobrirem os ingredientes e colherem as cenouras, havia chegado a hora de preparar a sopa.
Na aula de Culinária, os alunos participaram do preparo, identificando os produtos utilizados e ajudando a descascar alguns legumes.
Depois, houve o momento da degustação de uma saborosa sopa, que foi finalizada exclusivamente para eles no restaurante da escola.
Os alunos puderam perceber, na prática, como diferentes alimentos podem se transformar em uma refeição saborosa e nutritiva. E as professoras aproveitaram a experiência para conversar com os alunos sobre a importância de uma alimentação natural, variada e saudável, destacando os benefícios dos legumes e das verduras para o crescimento, a saúde e o bem-estar.
E QUANDO SOPA VIROU SAPO? UMA DESCOBERTA NO LETRAMENTO
O projeto da sopa ainda reservava uma surpresa — desta vez, no mundo das palavras.
Em uma atividade do próprio material didático, relacionada ao letramento, as professoras distribuíram letras móveis para que os alunos procurassem as letras necessárias para formar a palavra SOPA.
Quando a palavra estava formada, veio o desafio: inverter a posição das vogais. E então aconteceu a mágica da linguagem! SOPA virou SAPO.
Uma pequena mudança na posição das letras foi suficiente para transformar completamente a palavra. Uma descoberta simples, mas muito significativa para os alunos que estão começando a perceber que as palavras podem ser desmontadas, reorganizadas e transformadas.
UMA COLHER TAMBÉM SABE ACOLHER
Outra vivência especialmente significativa aconteceu a partir do poema “(A) Colher”, de Aluah Bianchi.
O próprio título já convida a uma descoberta: pode ser lido como “A Colher” ou “Acolher”.
A partir da semelhança sonora entre as palavras, o poema amplia o significado da colher. Ela deixa de ser apenas o utensílio que usamos para nos nutrir e passa a representar também o gesto de nutrir o outro, ou seja, de acolher, receber, cuidar, proteger e oferecer afeto.
Essa ideia de acolhimento se amplia nos versos em que o poema explora a parte côncava da colher, dando a entender que ela carrega o que alimenta o corpo e também pode carregar o que alimenta o coração.
No final do poema, uma terceira palavra com sonoridade parecida se associa a colher (utensílio) e acolher (cuidar): é o verbo colher (ato de receber o que se semeou). Desse jogo de palavras, fica a mensagem que foi explicada aos alunos: com a colher podemos semear e colher bons frutos para, depois, partilhar a nossa colheita com os outros.
O QUE QUEREMOS SEMEAR PARA OFERTAR ÀS PESSOAS?
Nas aulas de Socioemocional, as professoras trabalham com os alunos valores importantes para a convivência e para a formação humana, como autorrespeito, respeito ao outro, autoaceitação e aceitação das diferenças.
Por meio de atividades de expressão dos sentimentos, os alunos são incentivados a conversar sobre suas emoções, relatar experiências e reconhecer aquilo que sentem. Também realizam exercícios de respiração, relaxamento e mentalização, aprendendo, de maneira adequada à infância, a lidar com sentimentos negativos, como medo e raiva, e a cultivar sensações e atitudes relacionadas à calma, à coragem e ao contentamento.
Por ocasião do projeto “A Sopa do Neném”, a ideia de semear, colher e partilhar foi assunto das rodas de conversa do Socioemocional.
As professoras, então, convidaram os alunos a pensar em quais virtudes e bons sentimentos gostariam de semear com suas colheres e, principalmente, quais gostariam de compartilhar com suas famílias.
Foi assim que as colheres se transformaram mais uma vez. Agora, elas viraram instrumentos de afeto.
Em um vídeo preparado para os pais, cada aluno aparece com sua colher, como se estivesse lançando ao mundo sentimentos que gostaria de ver florescer: alegria, amor, felicidade, amizade, compreensão, união e esperança.
UMA SURPRESA PARA OS PAIS
No dia da Reunião de Pais, as professoras apresentaram o poema “(A) Colher” e convidaram as famílias para participarem da interpretação. Em seguida, exibiram o vídeo dos alunos. Os pais ficaram emocionados e lágrimas de felicidade brotaram dos olhos de muitos deles.
Nesse encontro, ficaram evidenciados os ricos aprendizados desenvolvidos no decorrer do projeto. Os pais puderam perceber que, além de a sopa virar sapo, aconteceram outras transformações mágicas: a colher virou instrumento musical, depois virou acolhimento e, finalmente, virou uma maneira de espalhar virtudes.
PARABÉNS À EQUIPE DA EDUCAÇÃO INFANTIL!
Com certeza, o projeto “A Sopa do Neném”, fruto do trabalho cooperativo da equipe pedagógica da Educação Infantil do Colégio Piaget, foi de muita valia para os alunos.
Por meio de uma simples sopa, eles aprenderam muito mais do que palavras, ingredientes ou movimentos. Eles aprenderam a importância de cuidar, acolher, partilhar e semear o bem.














