Em setembro, mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, especialmente em razão da campanha Setembro Amarelo, nossa escola promoveu diversas atividades voltadas ao tema.
Dinâmicas e bate-papos foram organizados pelo SOE (Serviço de Orientação Educacional), pelos professores do curso Projeto de Vida e pelos alunos voluntários do Comitê Antibullying Piaget. Essas três frentes de apoio socioemocional do Colégio Piaget atuaram em conjunto com o propósito de transmitir mensagens de valorização e proteção da vida.
E ainda mais pessoas contribuíram para essa missão. A Voz do Aluno, grupo protagonista que incentiva a expressão artística e cultural dos estudantes, organizou um encontro com a psicóloga Amanda Morais, que conversou com os alunos do Ensino Médio sobre saúde mental na adolescência.
EMPATIA: UMA HABILIDADE QUE FAVORECE O EQUILÍBRIO EMOCIONAL
A psicóloga Amanda Morais iniciou o encontro destacando a necessidade de desenvolver a empatia, uma habilidade que contribui significativamente para a construção de relacionamentos saudáveis.
Segundo ela, empatia é a capacidade de perceber o outro e colocar-se em seu lugar para compreender seus sentimentos, pensamentos e emoções de maneira genuína, sem julgamentos ou preconceitos. Mais do que simplesmente entender o que alguém está vivendo, a empatia envolve acolher e transformar a compreensão em uma atitude concreta de cuidado.
A palestrante também ressaltou que a empatia beneficia tanto quem recebe quanto quem oferece acolhimento. Ao sentir-se ouvido e compreendido, o indivíduo percebe que não está sozinho diante de suas dores ou dificuldades. E, para quem pratica esse cuidado, a atitude de ajudar também traz benefícios, pois está relacionada a áreas do cérebro ligadas ao prazer e à recompensa, favorecendo sensações de bem-estar e redução do estresse.
Cultivar a empatia ainda ajuda a melhorar os relacionamentos, já que permite reconhecer que cada pessoa possui uma história, valores, experiências e maneiras próprias de enxergar o mundo. Com isso, torna-se mais fácil compreender as diferenças e lidar com os desafios presentes nas relações cotidianas.
COMO PRATICAR A EMPATIA NO DIA A DIA?
Durante a conversa, Amanda Morais apresentou algumas atitudes que podem contribuir para o desenvolvimento da empatia:
- Enxergar o outro como igual, sem qualquer tipo de discriminação;
- Observar sinais de isolamento, tristeza ou mudanças de comportamento nas pessoas à nossa volta;
- Perguntar, de forma carinhosa, se está tudo bem e se a pessoa gostaria de conversar;
- Oferecer uma escuta ativa, prestando atenção de verdade ao que o outro diz e também ao seu tom de voz, à postura e aos gestos, sem interrompê-lo;
- Evitar julgamentos e comparações, respeitando o tempo e a experiência de cada pessoa;
- Demonstrar disponibilidade e acolhimento, mesmo quando não for possível encontrar uma solução para o problema apresentado;
- Lembrar que, muitas vezes, ouvir com atenção e mostrar que alguém não está sozinho já representa uma importante forma de cuidado.
ANSIEDADE: UMA EMOÇÃO NATURAL QUE PRECISA DE ATENÇÃO
Na segunda parte do encontro, a psicóloga explicou que a ansiedade é uma emoção natural do ser humano, caracterizada por sensações de apreensão, preocupação ou medo diante de acontecimentos futuros.
Ela explicou que todos nós sentimos ansiedade, um sentimento essencial para a nossa sobrevivência. O problema surge quando a ansiedade se torna excessiva, persistente ou desproporcional às circunstâncias. Nesses casos, pode comprometer o bem-estar, a qualidade de vida e os relacionamentos sociais.
COMO LIDAR COM A ANSIEDADE EXAGERADA?
A psicóloga citou algumas posturas capazes de interromper ou amenizar o sofrimento. Sugeriu que, em momentos de ansiedade intensa, devemos:
- Procurar compreender o que estamos sentindo;
- Nomear e acolher a emoção, em vez de ignorá-la, pois tentar simplesmente afastar aquilo que se sente pode intensificar o desconforto;
- Aprender técnicas de relaxamento e respiração;
- Investir em atividades que favoreçam a autoestima e o bem-estar, como praticar exercícios físicos, encontrar os amigos e conversar com pessoas de confiança;
- Procurar orientação e apoio especializado sempre que percebermos que não estamos conseguindo lidar sozinhos com o sofrimento.
Durante a palestra sobre saúde mental e ansiedade na adolescência, os próprios alunos puderam experimentar uma dessas estratégias. Amanda conduziu uma prática de respiração, mostrando que um exercício simples pode reduzir a tensão e favorecer um estado de maior tranquilidade.
ANSIEDADES TÍPICAS DOS ADOLESCENTES: OS DESAFIOS DA TRANSIÇÃO PARA A VIDA ADULTA
Considerando a ansiedade como a expectativa e apreensão em relação a uma ameaça futura, a palestrante ressaltou que os adolescentes, nessa fase de transição para a vida adulta, enfrentam sofrimentos específicos e uma sobrecarga de cobranças próprias e da família.
Durante a conversa, ela abordou justamente algumas dessas inquietações. Ao mesmo tempo em que desejam conquistar autonomia, os adolescentes começam a se deparar com responsabilidades cada vez maiores. E, diante delas, podem surgir perguntas como: “Será que vou dar conta?”, “Vou conseguir entrar na faculdade?”, “Escolhi a carreira certa?”, “Vou me adaptar a um novo ambiente?” ou “Vou conseguir construir novos relacionamentos?”.
Nesse contexto, Amanda apresentou duas emoções comuns entre os jovens que estão próximos de concluir o Ensino Médio: “ansiedade de desempenho” — devido a momentos decisivos, como provas, vestibulares e escolhas profissionais — e “luto do ciclo escolar” — sentimentos despertados pelo encerramento e pela despedida de uma trajetória de vida infantojuvenil considerada segura.
O propósito da reflexão foi mostrar aos alunos que, quando nos conscientizamos de que esses sofrimentos fazem parte de um período de transição, um primeiro passo já foi dado para lidar melhor com as mudanças.
O CUIDADO COM A SAÚDE MENTAL DEVE SER CONTÍNUO
Um dos principais aprendizados deixados pela palestra é que não precisamos esperar que um problema se transforme em um transtorno para procurar ajuda.
Cuidar da saúde mental significa perceber os nossos próprios sentimentos, reconhecer nossos limites e buscar apoio quando algo não vai bem. Esse apoio pode vir de um psicólogo ou de outro profissional especializado, mas também pode começar com uma conversa sincera com alguém de confiança: um familiar, um professor, um amigo ou qualquer pessoa que esteja disposta a ouvir e acolher.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Ao contrário, reconhecer que precisamos de apoio é uma atitude de cuidado e responsabilidade conosco e com as pessoas que fazem parte da nossa vida.
A palestra da psicóloga Amanda Morais, promovida pelo Colégio Piaget, reforçou, assim, que a saúde mental merece atenção não apenas nos momentos de crise, mas ao longo de toda a nossa história de vida. Buscar equilíbrio emocional, cuidar do próprio bem-estar e contribuir para o bem-estar daqueles que nos rodeiam deve ser um propósito para todos os dias.











