O auditório do Colégio Piaget tornou-se palco para o encontro entre literatura, criatividade e expressão artística.
Sob a orientação da professora Carol, de Literatura, as turmas do 1º ano do Ensino Médio realizaram adaptações teatrais de duas obras consagradas: ** Auto da Barca do Inferno (1527), de Gil Vicente, representante da literatura portuguesa, e ** Auto da Compadecida (1955), de Ariano Suassuna, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira.
O projeto possibilitou aos estudantes a oportunidade de assumir responsabilidades, experimentar diferentes funções e colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula.
Aprender fazendo: a força do protagonismo estudantil
A realização de um espetáculo teatral envolve muito mais do que decorar falas e interpretar personagens. É necessário planejar, escrever, ensaiar, preparar figurinos, elaborar cenários, selecionar recursos sonoros e coordenar tarefas. Cada etapa exige iniciativa, criatividade, responsabilidade e cooperação.
Nesse processo, os alunos foram os principais responsáveis pelas escolhas e pela execução das atividades, enquanto a professora acompanhou e orientou o trabalho. E ela destacou a autonomia dos alunos como um dos aspectos mais significativos da experiência.
“Eles trabalharam em equipe, propuseram ideias, tomaram decisões, enfim, exercitaram o protagonismo estudantil, que é uma importante proposta pedagógica da nossa escola”, explicou a professora Carol.
Clássicos da literatura que continuam dialogando com o presente
Para a preparação das encenações, os alunos precisaram se aprofundar na leitura e na interpretação das obras. Durante as discussões, identificaram críticas sociais que atravessam os dois textos, apesar da distância de aproximadamente quatro séculos entre suas produções.
Em ** Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente**, aparecem a hipocrisia, a ganância, a corrupção e a crítica aos comportamentos daqueles que procuram justificar seus privilégios. Já ** Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna**, apresenta personagens e situações que permitem refletir sobre a desigualdade, as relações de poder e as dificuldades enfrentadas pelas camadas mais pobres da população.
A análise comparativa levou os alunos a perceber que muitas questões abordadas pelos autores permanecem atuais. Dessa forma, a leitura literária ultrapassou o estudo de épocas e estilos e se transformou em uma oportunidade de observar criticamente a sociedade.
Da leitura à encenação: criatividade em ação
Depois do estudo das obras, os alunos se organizaram para elaborar suas versões teatrais.
O 1º ano A ficou responsável pela adaptação de Auto da Barca do Inferno. O 1º ano B trabalhou com Auto da Compadecida. As atividades foram distribuídas entre equipes, permitindo que todos contribuíssem para a realização dos espetáculos.
Na adaptação da obra de Gil Vicente, ganharam destaque personagens que representam vícios e desvios de conduta, como a falsidade, a ambição, a avareza e a hipocrisia. As figuras do Anjo e do Diabo também foram incorporadas, preservando elementos essenciais da composição original.
Na versão inspirada na obra de Suassuna, os alunos exploraram situações ligadas à realidade brasileira, como a desigualdade social, o coronelismo, a concentração de poder nas mãos dos grandes proprietários de terras, o desemprego e os efeitos da seca.
Ao selecionar, reorganizar e adaptar passagens dos livros, os jovens precisaram compreender as características das obras e decidir como torná-las expressivas no palco.
O resultado final da encenação exigiu, portanto, interpretação da obra original, escrita de um novo roteiro, criação do cenário, escolha dos trajes, ensaios e, enfim, todo um trabalho colaborativo.
A literatura se transformou em experiência
As apresentações de ** Auto da Barca do Inferno e Auto da Compadecida** demonstraram que o contato com a literatura pode ir além da leitura e da análise textual. Ao assumirem o desafio de adaptar obras clássicas, os alunos exercitaram a expressão oral, a criatividade, a organização, a autonomia e o respeito às contribuições dos colegas.
Foi uma experiência em que aprender significou criar, experimentar, colaborar e compartilhar.
O público também fez parte da experiência
Ao avaliar as apresentações, a professora Carol ressaltou a criatividade, a organização e o empenho demonstrados pelas turmas. O envolvimento dos estudantes nas diferentes etapas revelou a importância do planejamento coletivo e da participação de cada integrante para a realização de um projeto comum.
Os espetáculos foram acompanhados por alunos das demais turmas do Ensino Médio e pelos professores. A receptividade do público ficou evidente na atenção durante as cenas, nas risadas e nos comentários positivos sobre as histórias e os personagens.
A interação com os espectadores completou a experiência, demonstrando que o teatro é também uma forma de comunicação: por meio da interpretação, do humor e da crítica social, as obras literárias podem despertar emoções, provocar reflexões e aproximar diferentes gerações de leitores.
Parabéns às turmas do 1º ano do Ensino Médio e à professora Carol pela iniciativa e pelo trabalho realizado!










